O SAAL e as “Ilhas” do Porto

Por motivos de ordem organizativa, política e técnica, o SAAL – Norte diferenciava-se dos seus congéneres de Lisboa e Algarve. Enquanto estes lidavam sobretudo com a questão dos bairros clandestinos nas periferias, a intervenção do gabinete no Porto deparava-se com a existência generalizada das chamadas “ilhas” na malha urbana da cidade.

As “ilhas” são bolsas de pobreza incrustadas na cidade. A sua origem prende-se com as mudanças sociais trazidas pela Revolução Industrial. Atraídas às cidades pelos empregos fabris, as famílias instalavam-se nestes domicílios exíguos e improvisados.

A integração das “ilhas” – cuja tipologia mais comum é a de um corredor ladeado por construções, ao qual se acede por um discreto portão – na tessitura urbana obrigou ao desenvolvimento de soluções criativas que fizeram doutrina. A este facto não é alheia a forte ligação do SAAL – Norte à ESBAP (Escola Superior de Belas Artes do Porto) que surge como núcleo dinamizador, e até orientador, do processo SAAL.

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