O Bairro da Bouça

O Conjunto Habitacional da Bouça foi construído em duas fases: a primeira, composta por 56 fogos, foi parcialmente concretizada e ocupada a partir de 1976. A segunda fase, prevendo um total de 74 fogos, levaria trinta anos para ser terminada.

A conclusão do projecto em muito se deveu à teimosia dos primeiros moradores que ali se instalaram, oriundos das zonas carenciadas da Bouça, e que – no período imediatamente após a “Revolução dos Cravos” – lutaram pelo seu direito a uma habitação digna.

Este foi o tempo em que as populações das “ilhas” e zonas degradadas do Porto saíram à rua para reclamar o seu direito à habitação, mas também pelo direito ao lugar. Nas ruas, o som da multidão ecoava como o apelo urgente de um futuro melhor: “CASAS SIM! BARRACAS NÃO!”

Ao longo de quase três décadas, o projecto inacabado de Álvaro Siza Vieira ergueu-se como um monumento à tenacidade popular. Houve quem visse ali um foco de problemas sociais, enquanto outros criticavam a degradação de uma obra emblemática do mais internacional dos arquitectos portugueses. Mas para quem lá vivia o bairro era um sonho por realizar…

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